Raccord

Cinema e séries em contínua conexão. Entre planos, obras, épocas e olhares. Curadoria, notícias e tutoriais.

  • “As Pontes de Madison”, agora de volta ao catálogo da Max, é dirigido por Clint Eastwood, que também atua ao lado de Meryl Streep. Adaptado do romance de Robert James Waller, o filme acompanha o breve encontro entre uma dona de casa do interior e um fotógrafo itinerante, explorando temas como afeto tardio, escolhas de vida e memória.

    Lançado em 1995, o longa completa 30 anos em 2025 e permanece como uma das obras mais conhecidas de Eastwood. O longa, aliás, ocupa uma posição particular na filmografia de Clint Eastwood. Diferente de seus trabalhos mais associados à tensão moral e ao conflito externo, este longa adota uma abordagem mais terna e intimista, estruturada sobretudo nos diálogos e na construção gradual das emoções.

  • Há 40 anos, “O Último Dragão” (1985) chegou aos cinemas reunindo artes marciais, humor e música pop. Dirigido por Michael Schultz, o filme dialoga com a experiência do diretor em narrativas ligadas à cultura urbana. O longa contou com o apoio da gravadora Motown, o que aproxima a história do universo dos videoclipes e do entretenimento musical daquele período (a MTV tinha surgido há pouco tempo).

    A trilha sonora inclui faixas de artistas associados à Motown, como Stevie Wonder, além de canções interpretadas por Vanity, que também integra o elenco, reforçando a aproximação entre música e narrativa. O maior hit do filme foi “Rhythm of the Night”, do grupo DeBarge (também da Motown).

    A linguagem visual explora o contraste entre luzes de neon, figurinos estilizados e cenários urbanos, criando um ambiente que mistura fantasia e cultura de rua. Na montagem, as sequências de confronto alternam combate coreografado e humor. Nesse contexto, a performance de Julius Carry como Sho’nuff se torna central: os gestos amplos, os enquadramentos frontais e o tempo de cena conferem ao personagem uma presença carismática que ajuda a explicar por que ele se tornou uma das figuras mais lembradas do filme.

  •  A narrativa de sobrevivência ganha novas nuances com protagonistas femininas em séries como “Turma de 2007”, “The Wilds” e “Yellowjackets”, explorando a reorganização social e a complexidade da experiência humana. “Yellowjackets” se destaca ao retratar personagens multifacetadas e a conexão entre a turbulência interior e a natureza selvagem.

    Paralelamente, o gênero também evolui com protagonistas não humanos em animações como “Robô Selvagem” e “Flow”, refletindo a ansiedade da crise climática e projetando a humanidade em novas formas, ampliando o alcance e a relevância do gênero.

  • “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” (2004), dirigido por Michel Gondry, estará disponível na Netflix até 31 de março. O longa acompanha um casal que, após o término, decide apagar as memórias um do outro. O longa utiliza essa premissa para refletir sobre a complexidade dos relacionamentos e sobre o modo como lembranças moldam experiências afetivas.

    A obra combina narrativa não linear e estética visual inventiva, características recorrentes no trabalho de Gondry. Esses elementos também aparecem em filmes como “A Ciência dos Sonhos” (2006) e “Rebobine, Por Favor” (2008), nos quais o diretor cria belas construções visuais a partir de recursos visuais artesanais.

    O texto de Charlie Kaufman recebeu o Oscar de melhor roteiro original, consolidando uma abordagem que dialoga com temas como identidade, subjetividade e percepção do tempo. Esses mesmos eixos conceituais estão presentes em obras como “Quero Ser John Malkovich” (1999) e “Adaptação” (2002), que também trabalham com estruturas narrativas experimentais e questionamentos sobre a experiência humana.

  • A série “Adolescência” conquistou o público com sua narrativa crua e, nos bastidores, com uma técnica de filmagem desafiadora: o plano-sequência. O diretor de fotografia Matthew Lewis explicou que cada episódio foi filmado como uma única cena contínua, sem cortes, exigindo uma sincronia perfeita entre câmera e elenco.

    A produção se assemelhou a uma coreografia, com movimentos de câmera e atores meticulosamente planejados. O episódio ambientado na escola, com muitas crianças em cena, foi particularmente complexo, demandando um esforço coletivo impressionante.

    A equipe buscou a máxima autenticidade, recorrendo a efeitos visuais apenas em situações inevitáveis. A Netflix surpreendeu ao revelar que a série foi gravada em apenas cinco dias, um feito notável para uma produção com essa complexidade técnica.

    Para o episódio 1, a segunda tomada do primeiro dia foi a utilizada na edição final. Já os episódios 2, 3 e 4 tiveram suas versões finais definidas pelas tomadas 13, 11 e 16, respectivamente, capturadas no derradeiro dia de gravações.

  • Lee, estrelado e produzindo por Kate Winslet, já está disponível no Prime Video. O filme acompanha a trajetória de Lee Miller, que iniciou a carreira como modelo e, ao longo do tempo, redefiniu seu lugar no mundo ao se tornar fotógrafa da revista Vogue.

    Na condição de repórter fotográfica durante a Segunda Guerra Mundial, ela registrou cenas do conflito e dos territórios libertados, produzindo imagens que ajudaram a construir um testemunho histórico do período.

    O elenco inclui também Andy Samberg e Alexander Skarsgård, em papéis que orbitam o percurso profissional e pessoal de Miller.

    As fotografias de Lee Miller podem ser acessadas principalmente no Lee Miller Archives (https://www.leemiller.co.uk), que reúne a coleção mais completa de sua obra, incluindo retratos, criações surrealistas e o material produzido como correspondente de guerra. Para imagens ligadas especificamente à Segunda Guerra Mundial, é possível consultar os registros publicados na Vogue.

  • O filme “Acossado” (À bout de souffle), dirigido por Jean-Luc Godard, é reconhecido como um dos marcos inaugurais da Nouvelle Vague francesa. Lançado em 16 de março de 1960, o longa representou uma ruptura estética e narrativa em relação ao cinema clássico do período.

    A obra introduziu recursos então pouco convencionais, como cortes bruscos, câmera portátil, improvisação de diálogos e narrativa fragmentada. Esses elementos enfatizavam espontaneidade, movimento e subjetividade.

    Além do impacto técnico, o filme ajudou a consolidar uma nova relevância autoral no cinema europeu, fortalecendo a ideia do diretor como criador central da obra.

  • Com o intuito de preparar o público para a estreia da segunda temporada, marcada para 22 de abril, a Disney disponibilizou no YouTube os três primeiros episódios da primeira temporada.

    Além disso, no dia 13 de março, Tony Gilroy comandará um evento especial de reprise, com uma hora de duração, transmitido ao vivo no YouTube, funcionando como ponto de retomada da história antes da nova fase.

    Andor é uma série ambientada no universo de Star Wars que acompanha a formação política e pessoal de Cassian Andor, personagem interpretado por Diego Luna. A produção se destaca pelo foco no período anterior aos eventos de Rogue One, observando a consolidação da Rebelião em meio ao avanço do Império.

    A produção é desenvolvida por Tony Gilroy, roteirista e diretor conhecido por sua atuação em narrativas de tensão política e espionagem. Ele foi responsável pelo roteiro de Michael Clayton (2007), filme indicado ao Oscar, e desempenhou papel central na franquia The Bourne, escrevendo três longas da série e dirigindo O Legado Bourne (2012). Gilroy também atuou como consultor e reestruturador narrativo em Rogue One: A Star Wars Story.

  • Dica do festival online Varilux: Em “Amor À Segunda Vista” (“Mon Inconnue”, 2019), um escritor tenta reescrever a história com sua mulher após acordar em uma realidade paralela na qual eles não se conhecem.
Além de uma narrativa envolvente, uma...

    No dia dos namorados (lá fora), uma dica de filme estrangeiro. Amor à Segunda Vista (Mon Inconnue, 2019) é uma comédia romântica dirigida por Hugo Gélin e estrelada por François Civil, Joséphine Japy e Benjamin Lavernhe. O diretor parte da proposta de dialogar com a comédia romântica contemporânea sem abrir mão da sensibilidade francesa, combinando fantasia narrativa e observação afetiva.

    A trama acompanha Raphaël, um homem que leva uma vida aparentemente realizada ao lado da esposa e com reconhecimento profissional como escritor. Ao acordar em uma realidade alternativa, ele descobre que nada do que construiu existe. Nessa nova configuração, Raphaël e Olivia nunca se conheceram. O filme então se estrutura a partir da tentativa de reconstruir esse vínculo, explorando escolhas, acaso e a fragilidade dos caminhos afetivos.

    A recepção foi positiva. François Civil recebeu o Prêmio de Interpretação Masculina no Festival Internacional de Comédia de l’Alpe d’Huez em 2019 por seu trabalho no filme. A produção também conquistou o Swann d’Or de Melhor Filme no Festival de Cinema Romântico de Cabourg no mesmo ano.

    A trilha sonora desempenha papel fundamental na atmosfera do filme. “Le Temps de l’Amour”, interpretada por Françoise Hardy, atravessa a narrativa como fio condutor emocional, reforçando o tom romântico da história.

  • No dia 21 de fevereiro, a MUBI lança com exclusividade Grand Theft Hamlet, que transforma o caos do universo de Grand Theft Auto Online em palco para uma encenação teatral. Durante o lockdown no Reino Unido, em 2021, os atores Sam Crane e Mark Oosterveen encontraram uma forma criativa de driblar o isolamento: encenar Hamlet dentro do jogo.

    Criado inteiramente dentro do game, o filme é dirigido por Crane e pela cineasta Pinny Grylls, que também participa como personagem para registrar os ensaios em meio a tiroteios e perseguições.

    O longa já conquistou diversos prêmios, como o júri de documentário no SXSW 2024, duas categorias no British Independent Film Awards, incluindo o Raindance Maverick Award, e o prêmio de Melhor Documentário no Festival de Sitges. Ele também foi destaque no DMZ Docs, no Festival de Vancouver e em festivais como CPH:DOX, Hot Docs e BFI London Film Festival.