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Cinema e séries em contínua conexão. Entre planos, obras, épocas e olhares. Curadoria, notícias e tutoriais.

  • O filme Flow, dirigido por Gints Zilbalodis, marcou um momento histórico ao ganhar o Oscar de Melhor Animação usando exclusivamente com um software de código aberto. Essa vitória representa uma quebra de paradigmas na indústria cinematográfica, que até então dependia fortemente de ferramentas proprietárias.

    Em entrevista, o diretor explicou como produziu a animação. O longa foi todo criado com o programa Blender, que permite manipular luz e câmera em tempo real, eliminando etapas tradicionais de pré-visualização.

    Desenvolvido durante cinco anos e meio, o projeto começou como um trabalho solo e evoluiu para uma colaboração entre profissionais da Letônia, França e Bélgica. Diferente das grandes produções que usam fazendas de renderização (rede de computadores interligados que processam imagens complexas simultaneamente) caras e complexas, o filme foi renderizado em 4K usando computadores comuns.

    Para Zilbalodis, o sucesso do filme não veio de tentar imitar os grandes estúdios, mas de transformar limitações técnicas e orçamentárias em escolhas estéticas que deram à obra sua identidade.

  • “O Menino e o Mundo”, do diretor Alê Abreu, agora disponível no Prime Video, é um filme de animação brasileiro indicado ao Oscar. A obra mostra um menino que explora a vida no meio urbano.

    “O Menino e o Mundo”, do diretor Alê Abreu e agora disponível no Prime Video, é uma animação brasileira indicada ao Oscar que se destaca pelo uso de uma linguagem visual minimalista.

    O filme acompanha a jornada de um garoto que deixa o campo e passa a explorar o ambiente urbano, confrontando-se com o ritmo industrial e os contrastes entre o imaginário infantil e a realidade adulta.

    Com traços simples e forte dimensão simbólica, a narrativa dispensa o diálogo convencional e se apoia na música e na composição visual para refletir sobre modernização, deslocamento e perda de vínculos afetivos no mundo contemporâneo.

  • O diretor taiwanês John Hsu, reconhecido por trabalhos que misturam elementos sobrenaturais com narrativa envolvente, como em Detention (2019), apresenta sua nova produção, a comédia Sociedade dos Talentos Mortos, agora disponível na Netflix.

    O filme explora com humor ácido a convivência e a competição entre fantasmas que buscam licenças para assombrar. Essa proposta mescla sátira social com aspectos culturais locais, reforçando a identidade particular do cinema taiwanês contemporâneo.

  • “Ted Lasso” ganhará uma quarta temporada, marcando uma nova etapa para a série após o encerramento do arco anterior. Nesta fase, o personagem vivido por Jason Sudeikis assume a liderança de um time de futebol feminino.

    O núcleo de criação, que envolve os principais roteiristas e produtores responsáveis pelo tom conciliador e humanista da série, permanece à frente do projeto. Até o momento, porém, o estúdio não divulgou o elenco, detalhes sobre os novos personagens nem previsão de estreia.

  • 20 anos, estreava a versão norte-americana de “The Office” (2005–2013), adaptação da aclamada série britânica. Produzida no formato de mockumentary, a obra adotou câmera em estilo observacional, entrevistas diretas com os personagens e uso de silêncio cômico para construir situações do cotidiano corporativo.

    Ambientada em um escritório de venda de papel, a produção combinou humor ácido com um olhar cotidiano sobre a vida corporativa, criando figuras icônicas como Michael Scott (Steve Carell), Dwight Schrute (Rainn Wilson), Jim Halpert (John Krasinski) e Pam Beesly (Jenna Fischer).

    Diferentemente da versão original inglesa, o chefe (Michael Scott) é retratado de forma menos corrosiva, em alguns momentos até vulnerável, o que reforça o tom afetivo que permeia a produção norte-americana. Outro destaque é o arco romântico entre Jim e Pam, que acrescenta uma dimensão terna à narrativa.

    Steve Carell deixou a série ao final da sétima temporada, e a versão norte-americana de “The Office” continuou no ar até 2013, completando nove temporadas exibidas originalmente entre 2005 e maio daquele ano.

  • Em 26 de março de 1993, teve início a gravação da trilha sonora de “Backbeat”, conduzida pela Backbeat Band, um supergrupo de rock alternativo formado por Greg Dulli (The Afghan Whigs), Thurston Moore (Sonic Youth), Dave Pirner (Soul Asylum), Dave Grohl (Nirvana), Don Fleming (Gumball) e Mike Mills (R.E.M.).

    Dirigido por Iain Softley e lançado em 1994, o filme retrata o período pré-Beatlemania, com ênfase na fase vivida entre a Inglaterra e a cena noturna alemã. No vídeo, a Backbeat Band apresenta uma das faixas no MTV Movie Awards.


  • O filme “A Contadora de Filmes”, já disponível no Prime Video, apresenta uma narrativa centrada na experiência de uma jovem que transforma a prática de assistir cinema em um meio de sobrevivência econômica e afetiva. Após o acidente que incapacita o pai e compromete a renda familiar, ela passa a frequentar as sessões do cinema local para, em seguida, recontar as histórias dos filmes aos moradores da cidade.

    A mediação narrativa funciona tanto como fonte de sustento quanto como espaço de imaginação coletiva. Isso evidencia o papel do cinema como memória compartilhada e como mecanismo de elaboração simbólica diante da adversidade.

    O roteiro, coassinado por Walter Salles, reforça temas recorrentes na trajetória do cineasta, como deslocamento, resistência e formação subjetiva em contextos de vulnerabilidade social.

  • “As Pontes de Madison”, agora de volta ao catálogo da Max, é dirigido por Clint Eastwood, que também atua ao lado de Meryl Streep. Adaptado do romance de Robert James Waller, o filme acompanha o breve encontro entre uma dona de casa do interior e um fotógrafo itinerante, explorando temas como afeto tardio, escolhas de vida e memória.

    Lançado em 1995, o longa completa 30 anos em 2025 e permanece como uma das obras mais conhecidas de Eastwood. O longa, aliás, ocupa uma posição particular na filmografia de Clint Eastwood. Diferente de seus trabalhos mais associados à tensão moral e ao conflito externo, este longa adota uma abordagem mais terna e intimista, estruturada sobretudo nos diálogos e na construção gradual das emoções.

  • Há 40 anos, “O Último Dragão” (1985) chegou aos cinemas reunindo artes marciais, humor e música pop. Dirigido por Michael Schultz, o filme dialoga com a experiência do diretor em narrativas ligadas à cultura urbana. O longa contou com o apoio da gravadora Motown, o que aproxima a história do universo dos videoclipes e do entretenimento musical daquele período (a MTV tinha surgido há pouco tempo).

    A trilha sonora inclui faixas de artistas associados à Motown, como Stevie Wonder, além de canções interpretadas por Vanity, que também integra o elenco, reforçando a aproximação entre música e narrativa. O maior hit do filme foi “Rhythm of the Night”, do grupo DeBarge (também da Motown).

    A linguagem visual explora o contraste entre luzes de neon, figurinos estilizados e cenários urbanos, criando um ambiente que mistura fantasia e cultura de rua. Na montagem, as sequências de confronto alternam combate coreografado e humor. Nesse contexto, a performance de Julius Carry como Sho’nuff se torna central: os gestos amplos, os enquadramentos frontais e o tempo de cena conferem ao personagem uma presença carismática que ajuda a explicar por que ele se tornou uma das figuras mais lembradas do filme.

  •  A narrativa de sobrevivência ganha novas nuances com protagonistas femininas em séries como “Turma de 2007”, “The Wilds” e “Yellowjackets”, explorando a reorganização social e a complexidade da experiência humana. “Yellowjackets” se destaca ao retratar personagens multifacetadas e a conexão entre a turbulência interior e a natureza selvagem.

    Paralelamente, o gênero também evolui com protagonistas não humanos em animações como “Robô Selvagem” e “Flow”, refletindo a ansiedade da crise climática e projetando a humanidade em novas formas, ampliando o alcance e a relevância do gênero.