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Cinema e séries em contínua conexão. Entre planos, obras, épocas e olhares. Curadoria, notícias e tutoriais.

  • https://www.youtube.com/watch?v=SzbwpZNXNMc

    O coletivo Mamana atua como uma rede de apoio para a presença feminina na fotografia de rua. A proposta é oferecer condições mais seguras de atuação e reconhecimento técnico para mulheres que trabalham em contextos urbanos.

    A experiência em campo evidencia diferenças claras na forma como fotógrafas são abordadas. Relatos apontam que, enquanto fotógrafos homens costumam sofrer abordagens hostis associadas à ordem pública, mulheres enfrentam com maior frequência agressões verbais de cunho sexista ou tentativas de intimidação com viés sexualizado durante o exercício profissional.

  • Para Thom Powers, curador de documentários do Festival Internacional de Toronto e diretor artístico do Doc NYC, é essencial compreender que um filme não encerra a busca pela verdade.

    A reflexão surge em um contexto de crescimento acelerado da produção documental, movimento que tem ampliado o papel e as responsabilidades de curadores e programadores de festivais. Nesse cenário, a função deixaria de se limitar à avaliação estética ou ao controle de qualidade, passando a incluir também a análise da consistência factual e da integridade das informações apresentadas.

    Esse debate sobre a ampliação de critérios reflete uma mudança na forma como os documentários são recebidos. Parte significativa do público consome esses filmes como se fossem extensões do jornalismo investigativo. Com isso, projeta sobre o gênero expectativas elevadas de precisão, rigor e confiabilidade.

  • Um pintor falecido poderia dar continuidade à sua obra? The Next Rembrandt mostra como a tecnologia foi utilizada para produzir um novo quadro que emula os traços do pintor holandês.

  • Sean Baker filmou “Tangerine” (2015) inteiramente com iPhone 5s, empregando o aplicativo FiLMiC Pro para controle técnico e lentes anamórficas para obter formato widescreen cinematográfico. A dramédia foi bem recebida no Festival de Sundance, demonstrando que equipamento de consumo pode produzir resultados profissionais.

    A estratégia não foi pioneira. “Procurando Sugar Man” (Searching for Sugar Man, 2012), que conquistou o Oscar de Melhor Documentário, já havia incorporado iPhone em parte de suas filmagens. A produção utilizou o aplicativo 8mm Vintage Camera para emular estética antiga.

  • Pro Photographer, Cheap Camera. Série do canal do YouTube DigitalRev propõe o desafio a fotógrafos profissionais de registrar boas imagens a partir de equipamentos limitados.

  • O Festival de Sundance passou a refletir uma mudança mais ampla no ecossistema audiovisual. O espaço historicamente associado ao cinema independente convive hoje com a presença crescente da televisão, que concentra parte significativa da inovação criativa e da circulação de obras, reflete o NY Times.

    Esse cenário coloca o festival diante de um reposicionamento. Ao mesmo tempo em que busca preservar sua identidade ligada ao cinema autoral, Sundance começa a abrir espaço para formatos televisivos. Séries independentes passaram a integrar a programação, inclusive como projetos em busca de distribuição.

    Essa mudança impacta a trajetória de autores e atores. O primeiro passo começa com a conquista de visibilidade num festival de cinema independente. O movimento seguinte não necessariamente é um filme, mas criar uma série para a TV ou serviço de streaming. Foi o caminho trilhado por Lena Dunham (do seriado Girls), Mark e Jay Duplass (do recente Togetherness) e Jill Soloway (Transparent).

  • Em um ambiente saturado por imagens e regido pela circulação contínua nas redes, a fotografia passa por um processo de autoavaliação. Um conjunto de artistas tem deslocado o foco do ato de fotografar para o próprio estatuto da imagem, tratando o meio como algo em revisão permanente.

    Essas práticas se afastam da noção de fotografia como captura direta do real. A imagem surge como construção, frequentemente montada a partir de fragmentos históricos, arquivos digitais e referências pré-existentes. O passado deixa de ser citação nostálgica e se torna matéria-prima para reorganizar sentidos em um presente visual instável.

    Esse movimento indica um momento de transição. A fotografia, pressionada pela digitalização e pela ubiquidade das imagens, deixa de buscar definições fixas e passa a operar como campo aberto de investigação. Mais do que propor respostas, esses trabalhos expõem a instabilidade do meio e a necessidade de desenvolver novas formas de leitura da produção visual.

  • Um iPhone. Um ano. Uma mesma cena. O desafio de registrar diariamente a mesma árvore foi sugerido a Mark Hirsch por um amigo, após período em que o fotógrafo precisou se recuperar de um grave acidente automobilístico que limitou seus movimentos por cerca de três meses. Do site That Tree, as imagens captadas em 2012 por Hirsch migraram para um livro e calendário.

  • “Na pintura você pode interpretar um momento por anos. Na fotografia, são milésimos de segundos. É algo que, na verdade, você nem vê por causa do espelho dentro da câmera. E eu achava isso mágico” 

    A reflexão é de Maurício Lima, em perfil publicado pelo Estado de São Paulo. Fotógrafo com carreira consolidada no fotojornalismo internacional, Lima entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o Prêmio Pulitzer de Jornalismo.

  • Para o fotógrafo e pesquisador Luiz Santos, o Lambe Day vai além da técnica utilizada. Embora o processo de captação seja simples, o que está em jogo é a retomada do retrato como prática simbólica. A proposta é pensar o ato de retratar como algo que se renova, mesmo quando parte de meios limitados.

    O projeto evoca um tempo em que ser fotografado exigia pausa e respeito pelo instante. As pessoas se sentavam, reconheciam a solenidade do momento e escolhiam cuidadosamente a forma como desejavam ser vistas.

    Essa leitura da fotografia popular está presente na exposição em cartaz no Sesc Belenzinho, em São Paulo.