“DAU” é um experimento do cineasta Ilya Khrzhanovsky que transforma a produção cinematográfica em imersão. Em Kharkiv, na Ucrânia, foi construído um instituto de pesquisa inspirado nas instalações soviéticas, com ambientes, objetos, roupas, alimentos, dinheiro e regras correspondentes ao período retratado. Centenas de participantes passaram a viver e trabalhar no local.
A proposta eliminava boa parte das convenções de um set. Não havia roteiro tradicional nem cenas repetidas segundo uma orientação pré-determinada. As pessoas deveriam agir dentro daquele universo, enquanto câmeras registravam o cotidiano. Para preservar a imersão, quem permanecia no instituto ficava separado do mundo contemporâneo: celulares e outros objetos modernos eram retirados, e a comunicação com a vida exterior era interrompida. Sair era possível, mas significava abandonar definitivamente o projeto.
Durante cerca de três anos, o experimento produziu aproximadamente 700 horas de imagens. O material deu origem a um projeto audiovisual com diversos longas. Entre os filmes já lançados estão “DAU. Natasha” e “DAU. Degeneration”.
O novo “DAU”, filme de 165 minutos que estreou no Festival de Veneza desse ano, retoma o projeto original e acompanha Lev Landau (1908–1968), um dos principais físicos teóricos soviéticos do século 20. Ganhou o Nobel de Física em 1962 por sua teoria da superfluidez do hélio líquido e fez contribuições em diversas áreas da física.
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