Raccord

Conectando imagens por meio de críticas, notícias e tutoriais. Filmes e séries são as atrações principais, mas outras artes visuais também entram em cartaz.

Não me lembro de nada que tenha me dado tanto e tão constante prazer desde a infância quanto o cinema — incluindo aí mamadeiras, primas e gibis. A segunda melhor coisa que você pode fazer no escuro é ver um filme. A primeira é ver um grande filme. Obrigado, cinema.” Essa frase de Luís Fernando Veríssimo é uma forma perfeita de iniciar uma reflexão sobre o cinema e seu impacto.

Mas afinal, o que é um grande filme? O cineasta Jean-Luc Godard oferece uma definição que convida à profundidade: “Há dois níveis de conteúdo em um filme — o visível e o invisível. O que está diante da câmera é o visível. Se não há nada além disso, está-se fazendo televisão. Os verdadeiros filmes são aqueles que contêm algo invisível — algo que pode ser percebido entre o visível, sentido porque a parte visível foi pensada de modo específico.”

Essa ideia levanta outra questão: como se faz um grande filme? Quando questionado por um estudante, o diretor Jean-Pierre Melville respondeu de forma direta e precisa: “50% é a história, 50% são os atores, 50% é a direção de arte, 50% é a fotografia, 50% é a montagem, e assim por diante. Se qualquer um desses elementos falha, você compromete metade do filme.”

Essa multiplicidade de fatores evidencia o cuidado e a complexidade que sustentam a criação cinematográfica. O cinema, aliás, é uma arte singular, como bem observa o escritor Guillermo Cabrera Infante: “O cinema é um fenômeno narrativo curioso. É superior à literatura. Não é um romance, mas narra como um romance. Não é uma coleção de pinturas e fotografias, mas contém também fotografias e pinturas. O cinema é a invenção do século 20.”

Para muitos, o amor pelo cinema é algo coletivo, mas o envolvimento é profundamente pessoal. Na série Dawson’s Creek, a personagem principal, que compartilha esse fascínio, responde à pergunta sobre o que a atrai nos filmes: “Não somos nós que escolhemos nossas paixões, elas nos escolhem.

E no silêncio da tela, encontro meu lugar. Obrigado por me escolher, cinema, e por fazer da minha vida uma história a ser contada.

Posted in

Deixe um comentário