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Em 12 de junho de 1981, “Caçadores da Arca Perdida” chegava aos cinemas. Quarenta e cinco anos depois, o primeiro filme de Indiana Jones permanece como um dos maiores fenômenos do cinema de aventura, responsável por lançar uma série que atravessou mais de quatro décadas, com cinco longas-metragens, séries de TV, livros, quadrinhos e jogos eletrônicos.

O sucesso foi imediato. Produzido com orçamento estimado em US$ 20 milhões, o longa arrecadou quase US$ 390 milhões em bilheteria mundial após relançamentos e encerrou 1981 como a maior receita do ano.

A produção recebeu nove indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, e venceu cinco categorias técnicas: direção de arte, edição, som, edição de som e efeitos visuais. A trilha sonora de John Williams também se tornou um dos elementos mais reconhecíveis da franquia, graças ao tema “Raiders March”.

A origem do projeto começou de forma improvável. Após os sucessos de “Tubarão” e “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, Steven Spielberg tentou dirigir um filme de James Bond, mas ouviu negativas do produtor Albert “Cubby” Broccoli. Durante férias no Havaí, George Lucas apresentou ao amigo uma ideia que considerava “melhor que Bond”: a história de um arqueólogo inspirado nos seriados exibidos nas matinês das décadas de 1930 e 1940.

O personagem quase teve outro nome. Nas primeiras versões da história, Lucas o chamava de Indiana Smith, referência ao seu cachorro, batizado Indiana. Spielberg considerou o sobrenome genérico demais e sugeriu a mudança para Jones.

A escolha do protagonista também passou por reviravoltas. Lucas pretendia escalar um ator pouco conhecido, e Tom Selleck chegou a ser contratado para o papel. Conflitos de agenda com a série “Magnum” impediram sua participação. Harrison Ford, que já havia trabalhado com Lucas em “Guerra nas Estrelas”, acabou assumindo o personagem. Ao lado de Ford, Karen Allen viveu Marion Ravenwood, considerado o grande amor de Indiana. John Rhys-Davies, Paul Freeman, Ronald Lacey e Denholm Elliott completaram o núcleo principal da história.

Nem alguns dos momentos mais famosos do filme saíram como planejado. A clássica cena em que Indiana atira em um espadachim surgiu após Ford adoecer durante as filmagens na Tunísia. A sequência original previa um duelo elaborado com chicote, mas o ator sugeriu uma solução mais rápida. Spielberg aprovou a mudança, e a improvisação se transformou em uma das passagens mais lembradas do longa.

Filmado majoritariamente com efeitos práticos, “Caçadores da Arca Perdida” também chamou atenção pela escala de suas cenas de ação. A gigantesca pedra da sequência inicial foi construída especialmente para as gravações, enquanto milhares de cobras foram utilizadas na cena do Poço das Almas.

O legado ultrapassou as bilheterias. O filme ajudou a consolidar Spielberg como principal nome do blockbuster moderno, elevou Lawrence Kasdan ao grupo dos roteiristas mais disputados de Hollywood e ampliou o interesse popular pela arqueologia. Em 2023, a franquia chegou ao quinto capítulo com “Indiana Jones e a Relíquia do Destino”, encerrando a trajetória cinematográfica do aventureiro criado por Lucas e Spielberg.

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