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Durante as greves em Hollywood, a inteligência artificial virou um dos principais pontos de tensão, sobretudo pelo uso da imagem de atores, figurantes digitais e a ideia de roteiros gerados por máquinas. Em conversa com Joe Rogan, Ben Affleck e Matt Damon adotam um tom mais realista sobre o que a tecnologia de fato entrega hoje e o que ainda está longe de acontecer.

Para Affleck, a IA se parece mais com a eletricidade do que com uma revolução criativa. Ela muda processos e gera eficiência operacional, mas não substitui o núcleo artístico. Segundo ele, ferramentas como ChatGPT, Claude ou Gemini produzem textos previsíveis e medianos, porque atuam buscando padrões. A noção de filmes criados do zero por IA, ao menos por enquanto, não parece factível.

O avanço tende a ser gradual. A IA já ajuda em tarefas repetitivas e caras, como multiplicar figurantes, criar cenários digitais ou acelerar renderizações. Isso reduz custos e libera tempo e recursos para a atuação.

O limite fica evidente no trabalho do ator. Affleck cita uma cena de The Smashing Machine, em que Dwayne Johnson recorre a memórias pessoais dolorosas para construir uma performance convincente. A força da cena vem da experiência vivida e da escolha consciente de como usá-la. Esse tipo de elaboração humana segue fora do alcance da IA. Quanto mais a tecnologia se espalha, mais evidente se torna o valor do que é real.

Affleck também questiona o discurso de progresso acelerado usado para justificar investimentos bilionários. Um novo modelo pode ser apenas 25% melhor que o anterior, consumindo até 400% mais energia e dados.

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