Há 30 anos, 12 Monkeys chegava aos cinemas. A ficção científica estreou nos Estados Unidos em 29 de dezembro de 1995 e se consolidou como um dos títulos mais densos do gênero ao articular viagem no tempo, pandemia viral e paradoxos temporais com ambição narrativa incomum. Dirigido por Terry Gilliam e escrito por David Peoples e Janet Peoples, o filme é inspirado livremente no curta experimental La Jetée (1962), de Chris Marker, construído quase inteiramente a partir de fotografias estáticas.
A história se passa em 2035, quando James Cole, interpretado por Bruce Willis, supostamente é enviado ao passado para investigar a origem de um vírus que devastou a população mundial. Tratado como instável mental, Cole tenta convencer a psiquiatra Kathryn Railly (Madeleine Stowe) de que suas memórias do futuro são reais. Nesse percurso, cruza com Jeffrey Goines (Brad Pitt), um paciente de hospital psiquiátrico cujos discursos caóticos confundem delírio, crítica social e pistas centrais da narrativa. Christopher Plummer e David Morse completam o elenco.
O filme marcou um momento específico na carreira de Gilliam, cineasta cuja trajetória começou no cartum e na animação antes de ganhar projeção como integrante do Monty Python. Após codirigir Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, Gilliam consolidou uma filmografia autoral com títulos como Brazil e As Aventuras do Barão de Munchausen. Sua abordagem visual e narrativa encontra em 12 Monkeys uma síntese madura entre delírio estético e estrutura clássica.
Visualmente, o filme é marcado pela fotografia de Roger Pratt, colaborador recorrente de Gilliam, e pela trilha sonora de Paul Buckmaster, que reforça a sensação constante de desorientação temporal. O figurino de Julie Weiss contribui para a atmosfera de um futuro degradado, mais próximo da ruína industrial do que da ficção científica higienizada.
O reconhecimento artístico foi amplo. 12 Monkeys recebeu indicações ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, para Brad Pitt, e Melhor Figurino. Pitt venceu o Globo de Ouro na mesma categoria e o filme foi consagrado no Saturn Awards como Melhor Ficção Científica, além de render prêmios adicionais ao ator e ao figurino. Com arrecadação mundial de US$ 168,8 milhões, superou amplamente seu orçamento inicial e manteve alta aprovação crítica ao longo dos anos.
Anos após seu lançamento, a obra ainda reverbera. Em 2015, deu origem a uma série televisiva homônima, evidenciando a longevidade de seu universo narrativo.
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