
“O medo foi sempre muito real para mim. Então, o que fiz foi me livrar de meus medos, transferindo-os para os outros, o público.”
Steven Spielberg, em sua biografia, explica o papel do medo em sua obra.
Há 50 anos, chegava aos cinemas brasileiros um dos clássicos do diretor, “Tubarão” (1975). No enredo, a tranquilidade de uma cidade litorânea é interrompida por uma série de ataques atribuídos a um tubarão-branco. Diante da pressão política para manter a cidade aberta durante o verão, o chefe de polícia (Roy Scheider) une forças com um oceanógrafo (Richard Dreyfuss) e um caçador de tubarões (Robert Shaw) para eliminar a ameaça.
O trio central sustenta o filme tanto pelo conflito externo quanto pelas tensões internas entre razão científica, autoridade institucional e obsessão pessoal. Tubarão foi indicado a quatro Oscars e venceu três, incluindo Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora Original para John Williams e Melhor Som.
O caminho para o sucesso, porém, foi cheio de obstáculos. Problemas com o animal mecânico mudaram o destino da produção. Com dificuldade em exibir o animal na tela, Spielberg optou pelo terror psicológico. Em “Tubarão”, o medo surge não pela presença constante do predador, que pouco aparece no filme. É a possibilidade do seu surgimento, inesperada e fatal, que apavora o público. A bela trilha de John Williams amplifica o temor. Todos esses elementos semeiam o medo. Através da imaginação, nós fazemos a tensão crescer.
O título também é considerado o primeiro blockbuster do cinema. Seu lançamento foi precedido por uma campanha de divulgação sem precedentes. O trailer, que parecia uma reportagem, foi apresentado um ano antes do filme estrear. “Tubarão” também ganhou propaganda na TV, algo inédito. Resultado: todos queriam ver “Tubarão”. Deixar de ir ao cinema seria o mesmo que não ser convidado para uma festa popular. A venda de produtos temáticos, como camisas e bonés, também ganhou tração com o sucesso de “Tubarão”.
O filme apontou novos rumos para o cinema enquanto negócio. Se antes os estúdios reservavam as grandes estreias para o fim de ano, “Tubarão” antecipou o auge da experiência cinematográfica para julho, quando verão e férias escolares se encontram nos EUA. Desde então, os jovens são o principal público almejado por Hollywood.
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