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“Vulcões” foi o melhor documentário lançado no ano passado. Disponível no Disney+, o filme acompanha a trajetória de Katia e Maurice Krafft, casal de vulcanólogos que transforma a própria parceria afetiva em um projeto de vida e de pesquisa.

A obra reforça o interesse da diretora Sara Dosa pelas relações complexas entre humanidade e natureza, tema já explorado em “The Last Season”. Aqui, esse olhar se manifesta no modo como o filme articula ciência, paixão e risco como dimensões inseparáveis da experiência do casal.

Diante das limitações tecnológicas do período, os Krafft precisavam se aproximar fisicamente das erupções para registrar dados e imagens, o que resultou em um acervo visual sem precedentes. Esse material, além de impressionante do ponto de vista estético, tornou-se referência para protocolos contemporâneos de prevenção e resposta a desastres naturais.

A narrativa evidencia uma relação marcada por cumplicidade e por uma vivência contínua em estado de flow, na qual trabalho e vida se confundem em uma entrega absoluta ao presente e ao fenômeno científico que os move.

O filme reúne inúmeros méritos estéticos e narrativos. O título nacional, porém, não está entre eles. Enquanto o original (“Fire of Love”) preserva a ambiguidade poética entre paixão e destruição, a versão brasileira acrescenta um subtítulo que enfatiza o desfecho trágico do casal, reduzindo parte da sutileza que sustenta a experiência proposta pelo documentário.

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