Em um ambiente saturado por imagens e regido pela circulação contínua nas redes, a fotografia passa por um processo de autoavaliação. Um conjunto de artistas tem deslocado o foco do ato de fotografar para o próprio estatuto da imagem, tratando o meio como algo em revisão permanente.
Essas práticas se afastam da noção de fotografia como captura direta do real. A imagem surge como construção, frequentemente montada a partir de fragmentos históricos, arquivos digitais e referências pré-existentes. O passado deixa de ser citação nostálgica e se torna matéria-prima para reorganizar sentidos em um presente visual instável.
Esse movimento indica um momento de transição. A fotografia, pressionada pela digitalização e pela ubiquidade das imagens, deixa de buscar definições fixas e passa a operar como campo aberto de investigação. Mais do que propor respostas, esses trabalhos expõem a instabilidade do meio e a necessidade de desenvolver novas formas de leitura da produção visual.
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