As redes sociais instauraram um modelo em que viver e registrar tornaram-se atos inseparáveis. É o que Jacob Silverman investiga em “Terms of Service: Social Media and the Price of Constant Connection“. Segundo o autor, a experiência só parece completa quando convertida em imagem, texto ou dado circulável. O conteúdo importa menos que sua inscrição no fluxo de atualizações.
Nesse ambiente, a repetição é funcional. Imagens previsíveis e narrativas padronizadas garantem legibilidade e resposta rápida. A singularidade cede espaço ao alcance, e o novo se confunde com variações do mesmo.
A fotografia deixa de ser memória para tornar-se evidência. Ela confirma presença, legitima experiência e oferece contato com o olhar alheio. Registrar é existir publicamente.
Esse regime de visibilidade permanente reconfigura a atenção. Notificações interrompem, métricas orientam comportamentos, a expectativa de retorno molda pensamento e ação. A interioridade perde centralidade enquanto a validação externa se torna parâmetro.
No fim, a vida cotidiana se organiza como produção contínua de sinais. Compartilhar passa a estruturar a própria percepção do que vale a pena viver.
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