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I’m Bruce Lee, documentário sobre o mestre das artes marciais, estreia hoje nos Estados Unidos. O trailer não parece promissor. Apesar do título sugerir uma narrativa em primeira pessoa, o filme mostra pouco de Bruce Lee. O foco está em depoimentos de celebridades, que vão de atores a atletas, mas que não têm ligação direta com Lee além da admiração. Essa ausência de contexto resulta em comparações genéricas, como chamado de “Elvis das artes marciais”. Resta esperar que o excesso de celebridades no trailer seja apenas uma estratégia de divulgação e que o documentário tenha mais profundidade.

Em 1993, a cinebiografia Dragão — A História de Bruce Lee trouxe a lenda de Bruce Lee de volta às telas, num tempo em que o ingresso valia por sessões ilimitadas e muitos passavam o dia revendo o filme.

Aliás, a década de 1990 também apresentou um renascimento limitado dos filmes de luta, inundando as locadoras com títulos que estampavam “Shaolin” na capa. Todavia, nenhum astro daquela safra tocou o patamar de Lee. Ele não foi apenas o maior do seu nicho; sua figura rompeu a bolha das artes marciais para se tornar um ícone permanente da cultura pop.

Na verdade, Bruce Lee não ficou conhecido apenas por suas habilidades físicas, como as famosas flexões com os dedos ou o “soco de uma polegada”. Ele também criou o Jeet Kune Do (recentemente rebatizado de Jun Fan Jeet Kune Do), um sistema inovador de artes marciais.

Além disso, publicou livros que uniam ensinamentos técnicos e sua filosofia de vida, usando as artes marciais como metáfora para valores pessoais. Essa filosofia impactou profundamente os fãs, inclusive levando alguns a mudanças radicais na vida.

Falta agora contar a história do filho dele, Brandon Lee, cuja vida foi curta e interrompida tragicamente durante as filmagens de um longa. Um ano após a biografia do pai, O Corvo (1994) tornou-se um fenômeno juvenil. Brandon conquistou um público diferente, e ganhou status semelhante ao de um James Dean gótico. A trilha sonora do filme, com bandas como The Cure, Stone Temple Pilots, Nine Inch Nails e Rage Against The Machine, contribuiu para essa aura cult.

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