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Em 2011, alguns filmes românticos frustraram expectativas, mesmo entregando um final feliz. Produções que pareciam propor um olhar mais contemporâneo sobre os relacionamentos, como Sexo Sem Compromisso (No Strings Attached, 2011) e Amizade Colorida (Friends with Benefits, 2011), acabaram cedendo aos mesmos clichês de sempre. São obras irregulares, em que diálogos inspirados convivem com passagens previsíveis.

O mesmo ocorre em Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love, 2011), a comédia romântica de maior bilheteria do verão. Apesar do brilho de Emma Stone e do bom desempenho de Ryan Gosling, o filme repete um problema recorrente do gênero: o enredo concentra a evolução dramática no protagonista masculino, enquanto a personagem feminina permanece subdesenvolvida. Ela não atua como sujeito da relação, mas como destino a ser alcançado pelo protagonista.

Na narrativa, Steve Carell interpreta um homem dedicado que é traído pela esposa e, paradoxalmente, assume a responsabilidade de reconquistá-la. A dinâmica sugere um esforço unilateral e uma idealização do relacionamento que pouco dialoga com as condições concretas daquele casamento, soando menos como escolha afetiva e mais como temor da solidão.

Em síntese, Amor a Toda Prova ilustra a dificuldade do cinema romântico mainstream em romper com padrões dramáticos tradicionais. Atualiza a superfície do discurso, mas preserva estruturas narrativas que mantêm personagens femininas em papéis funcionais e relações construídas sobre assimetrias emocionais.

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